Cultivar o verdadeiro, eliminar o falso e preservar a essência; contemplar a própria natureza. Aqueles que atingem tal estado são chamados de “Verdadeiros”, alcançam o espírito primordial e transcendem o ciclo de vida e morte. “Entre os três mil grandes caminhos, qual poderei unir a mim?” Shi Xuan, um viajante de outro mundo que por acaso obteve a arte imortal da antiguidade, contempla os inúmeros céus e mundos, incontáveis universos, e questiona-se em silêncio. Atrás de Shi Xuan, um imenso peixe Yin-Yang ergue-se lentamente, girando de forma constante — será criação ou destruição? Este é um romance de cultivo imortal ao estilo de Xianhu, onde o destino e o poder se entrelaçam.
Ao despertar das sombras, Shi Xuan sentiu uma dor lancinante na cabeça, ainda conseguindo se recordar vagamente da terrível agonia de ter sido atingido por um caminhão de dez toneladas. A luz do sol banhava-lhe o peito, aquecendo-o suavemente. Aos poucos, a consciência do próprio corpo retornava, e ele não pôde deixar de se surpreender com sua sorte; afinal, fora arremessado longe por aquele caminhão e, ainda assim, sobrevivera. Nesse momento, fragmentos de memória começaram a emergir em sua mente, trazendo-lhe uma nova dor de cabeça, como se o crânio fosse se partir.
Na verdade, ele já estava morto. Porém, o amuleto que comprara, uma antiga conta de jade, de repente irrompeu em intensa luz, envolvendo sua alma, rasgando uma fenda no tecido do espaço, e transportando-o para este mundo, onde acabou por tomar o corpo de um jovem azarado.
Este novo corpo pertencia a um aprendiz de taoista, alguém com algum domínio das artes místicas. Chamava-se Du Bai. Dez anos antes, durante uma grande seca em Qingzhou, seus pais, junto ao pequeno Du Bai de apenas oito anos, fugiram em busca de sobrevivência, mas ambos sucumbiram à fome à beira da estrada. O menino, por sorte, foi encontrado antes de morrer por Xu, um velho taoista, que o acolheu como discípulo. Du Bai tinha talento, e em apenas uma década atingiu o estágio de cultivar o qi e fortalecer a alma, ganhando a estima de seu mestre.
Xu, o velho taoista, costumava dizer que, nas Treze Províncias entre as Duas Capitais, havia apenas uma dezena de pessoas que realmente detinham poderes místicos, e que aqueles com