No longínquo Oriente, existe uma estranha pequena casa que recusou várias vezes a avaliação de três estrelas Michelin. Os preços ali são exorbitantes: um simples arroz frito com ovo acompanhado de sopa custa 288 yuans. Ah, quase esqueço, vem também um pratinho de kimchi. Ainda assim, multidões se formam em filas intermináveis na porta. Não aceitam reservas, é preciso comparecer pessoalmente e esperar sua vez. Incontáveis pessoas fretam jatos particulares apenas para entrar na fila — obviamente, não há vagas para estacionamento de aviões, tampouco para carros. O atendimento é rude: os clientes são obrigados a buscar sua própria comida, recolher as louças e, sim, também limpar a mesa. Céus! Este proprietário deve ser completamente insano. — Revista Gastronômica Michelin
Quando as flores murcham em abril no mundo dos homens, as flores de pessegueiro só então florescem no templo da montanha.
Nesta cidade imensa e movimentada, a pequena loja situada entre o segundo e o terceiro anel viário é tão discreta quanto uma mosca. No entanto, Yuan Zhou, sentado no interior do cômodo mal iluminado, não tinha cabeça para tais pensamentos.
Sentado na única cadeira ainda inteira, Yuan Zhou percorreu com o olhar o pequeno aposento e suspirou, perdido em devaneios.
Era a única coisa, além dos cinquenta mil deixados para o funeral, que os pais de Yuan Zhou haviam deixado para ele.
Uma lojinha de dois andares na Rua das Miudezas, encostada a um prédio comercial: em cima, o lar acolhedor de uma família de três pessoas; embaixo, funcionava uma pequena casa de massas.
Desde o acidente de trânsito que ceifou a vida de seus pais, três anos atrás, Yuan Zhou nunca mais pôs os pés no térreo. Mesmo ao sair, usava sempre a porta dos fundos.
Agora, o cômodo estava repleto de poeira, as mesas e cadeiras quebradas pelo choque do infortúnio, louças espalhadas por todo lado. O andar de cima não estava em situação melhor: fora o espaço de uso cotidiano, tudo permanecia como há três anos.
Nunca imaginara que, depois de dois anos com o anúncio de transferência colado à porta, finalmente apareceria alguém disposto a assumir o lugar.
Yuan Zhou se levantou e, numa última volta, percorreu o olhar pelo restaurante desordenado, o rosto maduro marcado por uma expressão de cansaço e resignação, como se quisesse guardar aquele cenário