Sob o vasto firmamento, o mundo revela sua frieza; monstros e demônios não se comparam às nuances gélidas das relações humanas! Mãos delicadas como jade, beleza de tirar o fôlego, mas quem pode resistir à lâmina que brilha entre o céu e a terra? No imenso oceano de estrelas, paixões e desejos, cobiça, ira e ignorância, nem mesmo as verdades do Buda ou o poder supremo podem deter o que está por vir! Entre a multidão de seres vivos, uma devoção sincera é paga com um mar de sangue sem fim! Lamentos de almas, gritos de deuses e fantasmas, o oceano de sangue parece não ter margens — quem ousa perguntar onde está o caminho? Se não há caminho, que se enfrente o mar de sofrimento e sangue, que ossos se tornem barcos, e que, num só voo, se atravesse os céus!
“Não fujam! Maldito, você não vai escapar, fique parado!”
Três jovens, cada um segurando uma longa faca, corriam pelos montes escuros e de aparência estranha, brandindo suas armas para assustar o fugitivo à frente, tentando fazê-lo parar.
Mas suas ameaças eram em vão; o rapaz à frente não só ignorava como acelerava ainda mais. Segurando uma faca de açougueiro, ele não deu ouvidos aos gritos, apenas olhou para trás e vociferou: “Cão louco! Não sabe onde está, só pode estar fora de si!”
Era impensável que ele parasse, pois isso significaria arriscar a vida. Continuava a correr desenfreadamente, os passos provocando um som constante de estalos; onde pisava, a relva negra se desfazia em cinzas.
Ao redor, a vegetação era toda negra: grama, árvores, arbustos, tudo.
Não era uma cor tingida, nem natural; era o resultado de uma carbonização completa, tornando-se negro como carvão. Dez mil anos atrás, era assim; dez mil anos depois, permaneceu igual. O tempo ali parecia ter parado. Cada planta era como uma escultura negra, envolta numa névoa branca e misteriosa.
Esse lugar, semelhante ao mundo dos mortos, era chamado “Vasto Redemoinho da Poeira”, e dizia-se que, há cem mil anos, cem mil soldados celestiais vieram dos confins do universo para perseguir um grande demônio até ali. Incapazes de derrotá-lo, montaram uma armadilha mortal, sacrificando-se junto ao demônio, todos perecendo naquele local.
Desde então, durante quase todo o tempo, a névoa branca era substituída por uma névoa sangrenta, horripilante, que parecia devorar tudo. Homens, espírit