O chanceler foi para o crematório hoje?

O chanceler foi para o crematório hoje?

Autor: Pipa doce

Como filha ilegítima da residência nobre, a coisa mais ousada que Jiang Hua fizera na vida foi, quando Xie Yuwan, amigo de seu irmão, caiu numa armadilha, oferecer-se para compartilhar sua cama. Xie Yuwan era o chanceler mais jovem da corte, brilhante e impecável, com posição elevada e grande poder. Se não fosse por essa coincidência absurda, ele teria sido, para Jiang Hua, alguém que ela jamais poderia tocar em toda a vida. Após aquele episódio ridículo, sob os olhares de todos, Jiang Hua conseguiu o que queria e tornou-se a esposa do chanceler. Jiang Hua sabia que devia algo a Xie Yuwan, por isso cedia a ele em tudo. Ela era a esposa mais virtuosa e recatada de Xie Yuwan, e também sua amante mais fiel e inabalável. Ela sempre pensara que, nesses dez anos, mesmo que Xie Yuwan não a amasse, ao menos deveria respeitá-la e prezá-la. Até que...

O chanceler foi para o crematório hoje?

51mil palavras Palavras
0visualizações visualizações
119capítulos Capítulo

Capítulo Um

No primeiro ano de Kongshuang, no sétimo dia do terceiro mês.

Jiang Hua estava de joelhos diante do salão funerário simples, olhando para a humilde tabuleta espiritual sobre a mesa de madeira, os olhos vermelhos, o corpo abatido.

Sete dias antes, a tia-ama deixara algumas palavras e se enforcara no quarto.

O Ano-Novo acabara de passar; um ato tão funesto quanto o suicídio era evitado por todos. Ela implorara durante três dias inteiros, oferecendo o pouco dinheiro que restara do tratamento da tia-ama e, depois de súplicas e mais súplicas, conseguira ao menos um caixão e uma tabuleta espiritual para aquele quarto.

Mesmo após sete dias, Jiang Hua ainda não entendia por que a tia-ama escolhera a morte.

Ela preparava os assuntos fúnebres quase sem sentir nada, mas, nos momentos de pausa, a cena daquele dia reaparecia de súbito diante de seus olhos.

Naquele dia o sol brilhava bem, e ela acabara de receber a promessa da avó. Ia contar à tia-ama a boa notícia do noivado que estava por vir. Quis surpreendê-la, por isso não bateu à porta.

Mas, quando empurrou a porta, o que viu foi um corpo esguio e magro. A tia-ama pendia de uma faixa branca, o corpo caído em linha reta. Quando, trêmula, Jiang Hua ergueu o olhar ao longo daquela figura, encontrou o rosto pálido, franzino e sem alento da tia-ama.

Sobre a mesa ao lado havia um pequeno bilhete deixado para ela.

No papel amarelecido, os caracteres eram delicados: “A neve de Chang'an é fria demais; no inverno sempre corta a pele. Bolinha de Neve, leva a mãe contigo para o sul

📚 Recomendações

Ver mais >

Ranking

Mais rankings >