Você participaria de um reality show de namoro, interpretando o vilão odiado por todos, apenas por um milhão? A resposta de Xu Qingyan foi: hesitar um segundo é desrespeitar o dinheiro. Quando foi alvo de críticas e virou tendência nas redes sociais, Xu Qingyan demonstrou indiferença; afinal, não faz sentido abrir mão do dinheiro só para salvar a própria imagem. O diretor disse: “Não fique com peso na consciência.” Xu Qingyan respondeu: “Diretor, acho que essa fala ainda não é mordaz o suficiente.” O diretor insistiu: “Não se preocupe, solte-se o máximo possível.” Xu Qingyan garantiu: “Tudo bem, diretor. Vou atuar com naturalidade, vou mostrar o que é dedicação profissional.” ... Internauta A: “Xu Qingyan, esse canalha, não podia sumir logo? Levou a irmã Pei de moto elétrica?” Internauta B: “Comer dentro do carro, até aí tudo bem, mas quando a Lua reclamou, esse cabeça de camarão expulsou a deusa do veículo?” Internauta C: “O que vocês estão fazendo? Minha Zhouzhou nem participou desse programa horrível, por que estão marcando esse lixo à distância?” Internauta D: “Só eu achei ele bonito?” Todos: “Cale-se! Xu, vá para sua conta principal se quiser falar!” ... Anos depois, Lin Wanzhou jamais imaginou que voltaria a encontrar Xu Qingyan. Ninguém sabia do vazio em seu coração, da tristeza silenciosa de uma paixão secreta. Na festa de aniversário, ela não teve coragem de se aproximar; num piscar de olhos, ele já participava do reality de namoro, envolvido com aquela rival que ela superou no passado. ... Pei Muchan inicialmente só queria descobrir como era o homem que Lin Wanzhou, sua antiga adversária sem um rumor sequer, gostava. Será que ele era extraordinário, alguém fora do comum? Com o tempo, percebeu que estava viciada; quando quis escapar, já era tarde. Na primavera do vigésimo sexto ano de sua vida, apaixonou-se por alguém e nunca mais conseguiu se libertar.
No final de julho, após a chuva ao entardecer, toda a cidade estava envolta em um calor úmido, com o vento penetrando por todos os cantos.
O programa “Caçadores do Amor” havia escolhido iniciar as gravações à tarde. Às sete da noite, bem na hora do rush, a névoa noturna pairava enquanto pneus de carros deslizavam pelas ruas molhadas, refletindo as luzes de néon.
A câmera fez um corte para uma tomada ampla: um veículo executivo preto atravessava a ponte sob a noite, entrando lentamente na cidade litorânea iluminada.
O foco se aproximou. Dentro do carro, a luz era tênue, e o ar úmido aquecia-se com as respirações.
Xu Qingyan ainda mantinha a postura de quem acabara de acordar. O celular vibrou, a tela se acendeu; ele, instintivamente, semicerrando os olhos, esperou até que a visão clareasse e visse uma fila de mensagens não lidas.
No topo, o avatar de uma flor de lótus cor-de-rosa no lago. As mensagens eram frias e secas:
“A cirurgia custa seiscentos mil. Minha saúde está boa, vamos deixar para depois. Viva bem sua vida.”
“/sorriso/”
O interior do carro era espaçoso e limpo. Ele esfregou o rosto, os olhos vermelhos de cansaço. Primeiro, transferiu uma quantia de dinheiro; só então, com dedos rígidos, respondeu:
“As despesas médicas já estão pagas, se não usar será desperdício. Tenho um projeto na empresa, assim que terminar este mês recebo um bônus de algumas dezenas de milhares.”
“Mãe, eu vou dar um jeito no dinheiro. Amanhã eu te ligo.”
Ele não tinha bônus algum. Dois dias antes, fora dispensado após uma r